Na verdade, o tráfico de haxixe que vem de Marrocos (o maior produtor mundial), segue em direcção ao norte, tendo como últimos portos de mar localidades situadas no País Basco (Fuenterrábia e Irún). Daqui, a droga segue por via terrestre para países da Europa Central, desta vez com recurso a trailers e autocaravanas com fundos falsos. Estes transportes possuem as matrículas viciadas e os documentos são igualmente forjados. Mas, antes desses cargueiros chegarem a essas localidades portuárias do País Basco, vão abastecendo ao longo das costas portuguesas e espanholas as tais voadoras e, em alguns casos, embarcações de pesca. No entanto, o mercado comercial preferencial destes navios-mãe está voltado para as zonas do Minho (de Esposende à Foz do Minho) e Galiza. Umas vezes haxixe, outras juntando haxixe e tabaco, outra só tabaco. Tudo depende das perspectivas do mercado...
O que é mais evidente é o facto do mercado negro, em ambos os países, estar de tal modo organizado que consegue iludir as próprias autoridades o que leva a pensar ser impossível que, nos últimos anos, algumas delas não tenham sido compradas! E se não, vejamos...
A viagem do tabaco é complicada! Os Winstons, por exemplo, são enviados desde os EUA para a Alemanha (Hamburgo), Bélgica (Ambéres e Antuérpia) e Suiça (Basileia). Outras vezes, por conveniência de serviço, são enviados para Inglaterra (Liverpool), evitando entrar em qualquer um dos países anteriormente citados. Neste caso, a viagem seguinte, a de abastecimento às lanchas, tem como destino o norte de Espanha e Portugal. A cabeça deste polvo está sediada na Suiça, já que ali este tipo de comércio não é considerado contrabando ilegal. Daqui passam em contentores e por via terrestre para a Bulgária, onde empresas estatais que colaboram na fraude trocam os papéis das mercadorias. Aqui neste país, é fabricado também tabaco americano sob licença. Na etapa seguinte, torna-se extremamente difícil para as autoridades ocidentais conseguir controlar a quantidade de caixas que dali saem sob a capa de uma mera operação comercial de exportação. Com os papéis legalmente preenchidos, os mesmos trailers, mas agora acompanhados de outros tantos de empresas de Leste, iniciam a viagem de regresso. Institucionalizando-se um vaivém entre países que se deparam pela frente. A finalizar este percurso terrestre, eis-nos nos portos de Ambéres ou Antuérpia e Hamburgo. Sempre com os contentores em trânsito e selados, e por isso não devidamente fiscalizados, estes são metidos dentro dos grandes cargueiros das organizações que vão, para todos os efeitos, ser os tais navios-mãe a que já fiz referência. É a partir daqui que começa a fase marítima. Estes navios-mãe têm como pontos de destino águas internacionais ao largo do norte de Espanha, Portugal, sul de Espanha e ilhas Baleares. Aqui, termina a rota do tabaco e começa a da droga, fazendo-se o regresso da mesma maneira (agora com haxixe e, nalguns casos, também cocaína. como à frente denunciarei).É que, efectivamente, os portos marroquinos são outro paradeiro destes cargueiros, principalmente Ceuta e Tânger. No entanto, vezes há em que os norte africanos se mostram mais solícitos e, num gesto de invulgar sensibilidade comercial, fazem os transbordos de haxixe dos seus barcos de pesca para os mercantes, em águas internacionais, no Estreito de Gibraltar. Para os navios-mãe isto é óptimo já que, deste modo, evitam as suspeitas das autoridades europeias... Ainda recentemente tivemos oportunidade de apreciar uma larga reportagem elaborada pela TV-Galiza sobre este tema, em que nos mostrava imagens elucidativas. É que, ao largo das nossas costas e águas internacionais, aparecia o cargueiro LIBERTYMOON (panamiano), carregado com mais de 100 toneladas de haxixe!!!! Mas, prossigamos a nossa rota...
Com haxixe e o tabaco que por ventura tenha sobrado, os navios-mãe aproveitam ainda o Estreito de Gibraltar para outros transbordos do mesmo material. Como? Há ainda uma outra rota a que não fiz referência: na Bulgária, como já se disse, o tabaco é ali fabricado sob licença. Deste país vem por via terestre ou marítima para a Grécia (Piréu), que por sua vez segue em direcçãoao sul de Itália, Sicilia, Ilhas Baleares e Estreito de Gibraltar. Com0 estes enormes cargueiros têm a bordo potentes guindastres, encontram-se em águas internacionais e passam os contentores com facilidade para outras embarcações. Ou seja: os navios-mãe que vieram da Bélgica e da Alemanha, ou mesmo de Inglaterra, vão descarregando pelo caminho de tal modo que, quando chegam ao Sul de Espanha estão quase vazios. É aqui que aparece o reabastecimento a que aludi. Agora com o tabaco vindo da Bulgária, via Grécia, e com o haxixe de Marrocos, estes supermercados estão aptos a encetar uma nova cruzada.Vezes há, ainda, que ao Estreito de Gibraltar chegam outros cargueiros vindos do Panamá com carregamentos de cocaína, como mais lá para a frente citarei com provas mais que evidentes. E quando isso acontece, os tais navios-mãe, recebem-na de braços abertos. Para que o leitor possa ter uma ideia do intenso movimento marítimo que regista esta zona sensível, estou apto a dizer que, entre as nossas ilhas dos Açores e o citado Estreito, passam mais de 400 embarcações por dia... Terá a Espanha capacidade e meios para poder controlá-las, dado que este movimento é feito, principalmente, em águas internacionais? E Portugal? Nem valerá a pena abordar tal...
O certo é que, feito o reabastecimento, estes cargueiros do narcotráfico iniciam a viagem de regresso, voltando a reabastecer as nossas costas e galegas, terminando o seu percurso ilegal ao largo do País Basco, onde ficam as últimas encomendas. Enquanto estes, vazios, voltam à Bélgica e a Alemanha, para novas operações, a droga que chega a Irún e Fuenterrabía segue por via terrestre, através da França, com destino a uma série de países da Europa Central (principalmente a Holanda). Estas são, na verdade, as rotas do crime à mais alta escala, embora, lá mais para a frente, tal como prometi, citarei exemplos que falam por si...
segunda-feira, 28 de julho de 2008
terça-feira, 15 de julho de 2008
"Europa" Connection
O contrabando ilegal de tabaco e droga em larga escala são negócios fabulosos, dirigidos e financiados pelas mais poderosíssimas redes do crime organizado a nível internacional, com tentáculos extensivos a vários continentes. Comecemos pelo tabaco que serviu, ao fim e ao cabo, para montar toda a estrutura e ultrapassar os primeiros obstáculos, a fim de que a máquina ficasse oleada para outras aventuras: o tráfico de haxixe e, ao que tudo indica, a cocaína será o próximo objectivo!
Para despistar, o tabaco americano passa por vários países da Europa Central e, a partir daí, com declarações falsas, ao mercado negro do Sul da Europa.
Nos princípios de 1987, em Colónia (RFA), teve lugar uma importante reunião que, pelo seu melindre, pouco transpirou cá para fora... No entanto, o síndroma de que as redes de contrabando começavam a operar em grande com droga, pairou sobre todos os presentes! Sería o primeiro sinal sério e oficial de que se estava no início de uma longa batalha! Ali, os principais responsáveis europeus alfândegários e policiais, procuravam sintonizar o modo como combater aquelas organizações ilegais e altamente criminosas. Uma das conclusões apontava para que "os métodos de tráfico ilegal em contínua evolução, dificultavam as operações de combate". Ou seja: os perseguidos tornaram-se, com o tempo, mais poderosos que os perseguidores!...
Mas...como começou tudo isto?
Depois de um processo trabalhoso e paciente, recolhidos depoimentos imprescindíveis, associados dados e simples indícios, denúncias e suspeitas - enfim, todo o trabalho arriscado de vários anos! - o autor deste trabalho crê, ter em suas mãos, os principais rastos deixados por estas redes internacionais. É óbvio que muito mais se sabe mas que, por razões de prudência e relacionadas com as investigações ainda em curso é, para já, impublicável. E muitas surpresas vão aparecer...
O contrabando é tradicional nas zonas raianas entre o Minho e a Galiza. Desde os tempos da Guerra Civil espanhola por ali passaram bebidas, alimentos, medicamentos, relojoaria, armas, tabaco e droga. Tudo isto era facilitado pelas estruturas no terreno, com zonas onde se pode atravessar de um país para outro, através de pequenos riachos, a pé. Por outro lado, em locais onde o rio apresentasse maior profundidade, gamelas de simples pescadores à linha ou rede, e em alguns casos com recurso a traineiras de Caminha ou Viana do Castelo, servíam os interesses do contrabando, nessa altura visto com uma certa permissividade pelos tempos conturbados de então. Esta auréola aventureira destas actividades foi passando de pais para filhos, para netos, e assim sucessivamente... Com o decorrer dos anos a evolução foi constante, até porque as condições sociais e políticas melhoraram consideravelmente. A guerra deu lugar à paz, as trocas comerciais legais conheciam outro incremento, e os produtos que outrora escasseavam, podiam agora ser adquiridos na loja da esquina, mais escudo menos escudo, mais peseta menos peseta... Com Mercedes a espelhar prosperidade, a nova geração de contrabandistas tinha que encontrar alternativas, onde o lucro fosse muito maior e a concorrência menor. Estavamos no limiar da droga, se bem que o tabaco fosse a justificação mais conveniente, não só para iludir as autoridades, como para não inflaccionar os descarregadores em terra... Matavam-se, em suma, dois coelhos de uma só cajada! Os velhos contrabandistas retiravam-se para as suas vivendas multicoloridas, para o aconchego das suas lareiras, procurando sarar as feridas de tantos anos em que a maior parte do tempo andaram com a água até às rótulas... Outros há - honestos, apesar de tudo - que se recusaram a dar o salto para a droga! Isso, estava entregue à nova geração, com outras motivações...
De Espanha, país agora mais desenvolvido comercial e industrialmente que Portugal, com um nível de vida que nos abafa totalmente, chegavam as primeira lanchas rápidas. O porto de mar de Viana do Castelo serve de elo de ligação às bases galegas de Cambados, Villagarcia e Vilanova de Arosa. Cargueiros de alta tonelagem, provenientes de outros países da Europa Central e Norte de África (Marrocos), começam a movimentar-se impunemente ao largo das costas do Minho e Galiza, sempre em águas internacionais para evitar a fiscalização, servindo autênticos supermercados do crime ás tais lanchas desportivas, conhecidas por voadoras. Tabaco americano, haxixe e algumas vezes armas, segundo as autoridades espanholas "em estreita colaboração com a ETA, MAFIA e FRENTE POLISÁRIO".
Para despistar, o tabaco americano passa por vários países da Europa Central e, a partir daí, com declarações falsas, ao mercado negro do Sul da Europa.
Nos princípios de 1987, em Colónia (RFA), teve lugar uma importante reunião que, pelo seu melindre, pouco transpirou cá para fora... No entanto, o síndroma de que as redes de contrabando começavam a operar em grande com droga, pairou sobre todos os presentes! Sería o primeiro sinal sério e oficial de que se estava no início de uma longa batalha! Ali, os principais responsáveis europeus alfândegários e policiais, procuravam sintonizar o modo como combater aquelas organizações ilegais e altamente criminosas. Uma das conclusões apontava para que "os métodos de tráfico ilegal em contínua evolução, dificultavam as operações de combate". Ou seja: os perseguidos tornaram-se, com o tempo, mais poderosos que os perseguidores!...
Mas...como começou tudo isto?
Depois de um processo trabalhoso e paciente, recolhidos depoimentos imprescindíveis, associados dados e simples indícios, denúncias e suspeitas - enfim, todo o trabalho arriscado de vários anos! - o autor deste trabalho crê, ter em suas mãos, os principais rastos deixados por estas redes internacionais. É óbvio que muito mais se sabe mas que, por razões de prudência e relacionadas com as investigações ainda em curso é, para já, impublicável. E muitas surpresas vão aparecer...
O contrabando é tradicional nas zonas raianas entre o Minho e a Galiza. Desde os tempos da Guerra Civil espanhola por ali passaram bebidas, alimentos, medicamentos, relojoaria, armas, tabaco e droga. Tudo isto era facilitado pelas estruturas no terreno, com zonas onde se pode atravessar de um país para outro, através de pequenos riachos, a pé. Por outro lado, em locais onde o rio apresentasse maior profundidade, gamelas de simples pescadores à linha ou rede, e em alguns casos com recurso a traineiras de Caminha ou Viana do Castelo, servíam os interesses do contrabando, nessa altura visto com uma certa permissividade pelos tempos conturbados de então. Esta auréola aventureira destas actividades foi passando de pais para filhos, para netos, e assim sucessivamente... Com o decorrer dos anos a evolução foi constante, até porque as condições sociais e políticas melhoraram consideravelmente. A guerra deu lugar à paz, as trocas comerciais legais conheciam outro incremento, e os produtos que outrora escasseavam, podiam agora ser adquiridos na loja da esquina, mais escudo menos escudo, mais peseta menos peseta... Com Mercedes a espelhar prosperidade, a nova geração de contrabandistas tinha que encontrar alternativas, onde o lucro fosse muito maior e a concorrência menor. Estavamos no limiar da droga, se bem que o tabaco fosse a justificação mais conveniente, não só para iludir as autoridades, como para não inflaccionar os descarregadores em terra... Matavam-se, em suma, dois coelhos de uma só cajada! Os velhos contrabandistas retiravam-se para as suas vivendas multicoloridas, para o aconchego das suas lareiras, procurando sarar as feridas de tantos anos em que a maior parte do tempo andaram com a água até às rótulas... Outros há - honestos, apesar de tudo - que se recusaram a dar o salto para a droga! Isso, estava entregue à nova geração, com outras motivações...
De Espanha, país agora mais desenvolvido comercial e industrialmente que Portugal, com um nível de vida que nos abafa totalmente, chegavam as primeira lanchas rápidas. O porto de mar de Viana do Castelo serve de elo de ligação às bases galegas de Cambados, Villagarcia e Vilanova de Arosa. Cargueiros de alta tonelagem, provenientes de outros países da Europa Central e Norte de África (Marrocos), começam a movimentar-se impunemente ao largo das costas do Minho e Galiza, sempre em águas internacionais para evitar a fiscalização, servindo autênticos supermercados do crime ás tais lanchas desportivas, conhecidas por voadoras. Tabaco americano, haxixe e algumas vezes armas, segundo as autoridades espanholas "em estreita colaboração com a ETA, MAFIA e FRENTE POLISÁRIO".
quinta-feira, 3 de julho de 2008
O Desafio
Todas as noites, dezenas de olhos vigiam, escutam, subornam, controlam, ameaçam, calculam ao longo das nossas costas marítimas! Todas as noites, mãos experimentadas actuam, carregam, distribuem, escondem, esmagem, enganam! Algumas vezes, há mortes nunca esclarecidas!...
Com alguns documentos e fotos até agora nunca publicados, este trabalho é, acima de tufo um DESAFIO! Fruto de muitos anos de investigação, de sacrifícios e privações, de mal entendidos e enormes riscos (inclusive da própria vida), esta recordação pretende ser uma chamada de atenção sobre o que está a fazer-se, sobre o que pode e deve fazer-se, sob pena de cada um de nós demitir-se do papel que lhe compete na comunidade.
Mas também, um grito de REVOLTA pela permissividade que a Lei confere a estas quadrilhas do crime organizado a nível internacional, que não distinguem fronteiras, nem credos ideológicos. Pelo silêncio do Poder político. Pela ausência do assumir eficaz de funções por parte dos homens do aparelho do Estado, como cidadãos também, como progenitores de uma nova geração que amanhã não se inibirá de solicitar contas...
Portugal transformou-se--porque assim o permitiram--num mercado idóneo para estas mafias!
Tabaco, drogas ou armas! Que importa?
Seja o que for, é algo por que muitos estão dispostos a matar!
Com alguns documentos e fotos até agora nunca publicados, este trabalho é, acima de tufo um DESAFIO! Fruto de muitos anos de investigação, de sacrifícios e privações, de mal entendidos e enormes riscos (inclusive da própria vida), esta recordação pretende ser uma chamada de atenção sobre o que está a fazer-se, sobre o que pode e deve fazer-se, sob pena de cada um de nós demitir-se do papel que lhe compete na comunidade.
Mas também, um grito de REVOLTA pela permissividade que a Lei confere a estas quadrilhas do crime organizado a nível internacional, que não distinguem fronteiras, nem credos ideológicos. Pelo silêncio do Poder político. Pela ausência do assumir eficaz de funções por parte dos homens do aparelho do Estado, como cidadãos também, como progenitores de uma nova geração que amanhã não se inibirá de solicitar contas...
Portugal transformou-se--porque assim o permitiram--num mercado idóneo para estas mafias!
Tabaco, drogas ou armas! Que importa?
Seja o que for, é algo por que muitos estão dispostos a matar!
terça-feira, 1 de julho de 2008
Objectivos
O que foi o Minho Connection?
Que interesses estavam por detrás deste caso, que levou um jornalista a ser condenado por não revelar fontes?
Porque é que ainda, hoje, esse mesmo jornalista, continua a passar pela prisão para não perder a vida?
O relatório "Minho Connection" vai ser desvendado, lentamente, aqui neste blogue. Para que Manso Preto não seja esquecido. Nunca!
Que interesses estavam por detrás deste caso, que levou um jornalista a ser condenado por não revelar fontes?
Porque é que ainda, hoje, esse mesmo jornalista, continua a passar pela prisão para não perder a vida?
O relatório "Minho Connection" vai ser desvendado, lentamente, aqui neste blogue. Para que Manso Preto não seja esquecido. Nunca!
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