O contrabando ilegal de tabaco e droga em larga escala são negócios fabulosos, dirigidos e financiados pelas mais poderosíssimas redes do crime organizado a nível internacional, com tentáculos extensivos a vários continentes. Comecemos pelo tabaco que serviu, ao fim e ao cabo, para montar toda a estrutura e ultrapassar os primeiros obstáculos, a fim de que a máquina ficasse oleada para outras aventuras: o tráfico de haxixe e, ao que tudo indica, a cocaína será o próximo objectivo!
Para despistar, o tabaco americano passa por vários países da Europa Central e, a partir daí, com declarações falsas, ao mercado negro do Sul da Europa.
Nos princípios de 1987, em Colónia (RFA), teve lugar uma importante reunião que, pelo seu melindre, pouco transpirou cá para fora... No entanto, o síndroma de que as redes de contrabando começavam a operar em grande com droga, pairou sobre todos os presentes! Sería o primeiro sinal sério e oficial de que se estava no início de uma longa batalha! Ali, os principais responsáveis europeus alfândegários e policiais, procuravam sintonizar o modo como combater aquelas organizações ilegais e altamente criminosas. Uma das conclusões apontava para que "os métodos de tráfico ilegal em contínua evolução, dificultavam as operações de combate". Ou seja: os perseguidos tornaram-se, com o tempo, mais poderosos que os perseguidores!...
Mas...como começou tudo isto?
Depois de um processo trabalhoso e paciente, recolhidos depoimentos imprescindíveis, associados dados e simples indícios, denúncias e suspeitas - enfim, todo o trabalho arriscado de vários anos! - o autor deste trabalho crê, ter em suas mãos, os principais rastos deixados por estas redes internacionais. É óbvio que muito mais se sabe mas que, por razões de prudência e relacionadas com as investigações ainda em curso é, para já, impublicável. E muitas surpresas vão aparecer...
O contrabando é tradicional nas zonas raianas entre o Minho e a Galiza. Desde os tempos da Guerra Civil espanhola por ali passaram bebidas, alimentos, medicamentos, relojoaria, armas, tabaco e droga. Tudo isto era facilitado pelas estruturas no terreno, com zonas onde se pode atravessar de um país para outro, através de pequenos riachos, a pé. Por outro lado, em locais onde o rio apresentasse maior profundidade, gamelas de simples pescadores à linha ou rede, e em alguns casos com recurso a traineiras de Caminha ou Viana do Castelo, servíam os interesses do contrabando, nessa altura visto com uma certa permissividade pelos tempos conturbados de então. Esta auréola aventureira destas actividades foi passando de pais para filhos, para netos, e assim sucessivamente... Com o decorrer dos anos a evolução foi constante, até porque as condições sociais e políticas melhoraram consideravelmente. A guerra deu lugar à paz, as trocas comerciais legais conheciam outro incremento, e os produtos que outrora escasseavam, podiam agora ser adquiridos na loja da esquina, mais escudo menos escudo, mais peseta menos peseta... Com Mercedes a espelhar prosperidade, a nova geração de contrabandistas tinha que encontrar alternativas, onde o lucro fosse muito maior e a concorrência menor. Estavamos no limiar da droga, se bem que o tabaco fosse a justificação mais conveniente, não só para iludir as autoridades, como para não inflaccionar os descarregadores em terra... Matavam-se, em suma, dois coelhos de uma só cajada! Os velhos contrabandistas retiravam-se para as suas vivendas multicoloridas, para o aconchego das suas lareiras, procurando sarar as feridas de tantos anos em que a maior parte do tempo andaram com a água até às rótulas... Outros há - honestos, apesar de tudo - que se recusaram a dar o salto para a droga! Isso, estava entregue à nova geração, com outras motivações...
De Espanha, país agora mais desenvolvido comercial e industrialmente que Portugal, com um nível de vida que nos abafa totalmente, chegavam as primeira lanchas rápidas. O porto de mar de Viana do Castelo serve de elo de ligação às bases galegas de Cambados, Villagarcia e Vilanova de Arosa. Cargueiros de alta tonelagem, provenientes de outros países da Europa Central e Norte de África (Marrocos), começam a movimentar-se impunemente ao largo das costas do Minho e Galiza, sempre em águas internacionais para evitar a fiscalização, servindo autênticos supermercados do crime ás tais lanchas desportivas, conhecidas por voadoras. Tabaco americano, haxixe e algumas vezes armas, segundo as autoridades espanholas "em estreita colaboração com a ETA, MAFIA e FRENTE POLISÁRIO".
terça-feira, 15 de julho de 2008
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2 comentários:
Boa tarde
Antes de mais aceite os parabens desta minhota que ficou muito feliz ao ver k a obra de manso preto não foi esquecida.
Já ja muito tempo que procuro, infrutiferamente, este livro. porventura não sabe onde o posso comprar? agradeço e, mais umas vez, os meus parabens plo blog
Eu também gostava de encontrar este livro à venda mas não encontro.
Alguém se ainda é possível compra-lo?
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